quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O menino perdido
















Tenaz. Cavo.
Menino perdido.
Três dias esquecido no mato.
Menino encontrado vivo.
Menino encontrado morto.
Guardador de oráculos.
Remos e barcos.
Tábuas partidas e canoas.

Pastor inefável do fundo do rio.
Velho violeiro do cais.
Pescador de lampreias.
Nas mãos o rastro de foices
desenha canteiros de açucenas.
Nos pés a aurora campeia
rumo às colinas.

Amor que rebenta da tarde.
Filho mais velho do vento.
Filho mais novo do tempo.
Irmão do meio da noite.

Tudo em mim é porto.
Barcos imaginários.
Trens imaginários.
Casa e homens de barro.
Rostos e mãos tecidos de luz.



Poema do livro Memorial dos meninos | Rudinei Borges | 2014